Já escrevi, apaguei, escrevi de novo, apaguei de novo e repeti essa indecisão tantas vezes que perdi as contas. Acredito que isso seja reflexo da nossa eterna busca por confirmações de todos os tipos e tamanhos, porque fomos treinados a precisar de aceitações a qualquer custo.
O sacolejo dessas minhas palavras vem da necessidade quase vital de que elas consigam te tocar de todas as formas possíveis. Por mim, elas te olhariam e sentiriam exatamente o que eu senti quando os meus olhos pousaram mansos nos seus. Com uma descrição quase cirúrgica, elas te relembrariam o gosto daquele jantar em que viramos melhores amigos do garçom. Nostálgicas, elas rebobinariam todos os nossos diálogos e passariam mais uma vez o filme das nossas vidas, para que você pudesse sentir tudo isso de novo. Através de mim, elas te chegariam, te beijariam a boca, te tirariam o sossego, o ar e a roupa, com a censura necessária porque ninguém mais precisa saber sobre o nosso pudor sempre abandonado pelos cantos.
O balanço dessas minhas letras antagoniza todas as firmezas que buscamos. Porque nos apegamos loucamente aos alicerces da concordância e desejamos a todo momento a pedra fundamental da manutenção das relações. Só que esquecemos das esquinas, das dobras e das reviravoltas da vida.
Mesmo sabendo que esse não é um texto perfeito, frustrando o meu desejo por mais uma pequena confirmação, eu não poderia ser desonesto com você. Eu não tenho certeza do que virá e acredito que o charme do caminho está nisso: não saber detalhadamente o que encontraremos à frente.
Com toda a loucura que existe no inexplorado e com todas as mentiras com gostinho de verdade que eu poderia te dizer agora, a única certeza que posso te dar é a presença do meu amor. E eu sei que é o nosso que confirma a gente. (em Rio de Janeiro, Rio de Janeiro)